Sesc Mesa Brasil lança 7ª edição da Oficina Rede Recostura em Goiás
Ação visa promover sustentabilidade e geração de renda para entidades sociais e participantes
Vestir é contar uma história. É nas peças de roupas que uma identidade é revelada e parte de uma trajetória também é mostrada. O que é um ato recorrente no dia a dia também serve como uma oportunidade de promover a geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental. Pensando nisso, o Sesc Mesa Brasil - maior rede privada de banco de alimentos da América Latina -, inicia a 7ª edição da Oficina Rede Recostura. A ação consiste em uma oficina que promove a sustentabilidade e geração de renda para entidades sociais, a partir da customização de novas peças de roupas e retalhos utilizando saberes como os bordados manuais, o crochê e a tecelagem manual.
A iniciativa é guiada pela professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) do curso de Design de Modas, Isadora Santos Medeiros, que está à frente do projeto desde 2017 - ano em que foi criado. O projeto é destinado para representantes de entidades sociais cadastrados no Mesa Brasil e que tenham interesse em aprender e replicar o conhecimento obtido dentro das instituições, contribuindo para a autonomia financeira das organizações e seus beneficiários, não sendo necessário ter experiência prévia. Ao todo, foi delimitada uma turma de 15 alunos que se encontrarão em 14 encontros, previstos para acontecer até outubro deste ano. Ao fim, acontecerá um desfile com as peças produzidas por eles e com a participação de crianças PcD, de 4 a 8 anos, idosos e dos próprios alunos.
A assistente social e responsável pelo projeto, Erika Nascimento, explica que o objetivo da oficina é ensinar a customizar, explorando ainda mais a criatividade dos participantes. De acordo com ela, nesta edição, o foco será a confecção de roupas e calçados. “Apesar da essência do projeto ser a mesma, cada ano tem uma ideia diferente. Já teve ano que foi só para ensinar a fazer bolsas a partir de perna de calças jeans, de bolsa para fazer roupa de criança, de roupa de adulto a partir da peça de calça jeans…Em outros meses, nós fizemos com perna de calça preta, já fizemos também roupas femininas, adultas e outros acessórios também. O projeto não foca só na confecção da roupa, até porque o objetivo aqui não é aprender a costurar. Geralmente quem vem para a oficina já tem o mínimo de habilidade, mas não precisa saber costurar porque também são utilizadas outras habilidades manuais como crochê, bordado, que valoriza as peças de roupas”.
Ela reforça que o objetivo é que a oficina incentive a geração de renda a partir da sustentabilidade para que as pessoas possam multiplicar os conhecimento não só para as entidades sociais, mas também para as suas famílias. Boa parte dos alunos, segundo a profissional, é formada por idosos, que encontram, no projeto, a oportunidade de aprender novos conhecimentos e se sentirem incluídos socialmente. “A importância é tanto na parte da renda quanto na inclusão e no emocional deles. Quando eles vêm para a oficina, eles falam que isso é uma terapia e vem para conversar. Tem aluna que está desde a primeira edição. Elas vêm aqui para interagir. A importância principal que eu também vejo é deixar claro que o Mesa Brasil ele não faz apenas repasse de alimentos. O programa quer ir além disso, é questão de capacitar e mudar a vida”, explica.
O presidente do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac, Marcelo Baiocchi, destaca que o objetivo da ação é “estimular a capacidade criativa e técnica dos participantes por meio de um aprendizado teórico-prático introdutórios através da exploração de técnicas, além de divulgar as ações realizadas pelo Mesa Brasil”. Ele complementa afirmando que a ideia é que “a oficina proporcione o acesso a conhecimentos de caráter educativo voltados ao empreendedorismo social, contribuindo para a redução da vulnerabilidade social”.
O diretor regional do Sesc e Senac, Leopoldo Veiga Jardim, ressalta que a ação tem como premissa “incentivar a criatividade dos participantes, promovendo discussões reflexivas sobre reuso, ressignificação, consumo consciente e economia circular, com foco na sustentabilidade ambiental e social”.
Natalina Abadia Costa, de 63 anos, é uma das participantes do projeto e que, inclusive, esteve presente em outras edições. Para ela, os encontros são uma oportunidade de aproveitar um tempo para si mesma e repensar sobre a sustentabilidade e o meio ambiente. “Para mim é ótimo, é um momento que essa ‘veia’ minha criativa fica muito evidente [...] Eu estou tendo a oportunidade de expressar minha preocupação com o meio ambiente com o Mesa Brasil. É a oportunidade de fazer as pessoas pensarem sobre isso. Uma garrafa pet dura 400 anos e nossa geração tem que pensar nisso”.
Ela complementa: “no Mesa Brasil eu tenho a oportunidade de olhar para o passado. É um momento que eu gosto muito e também tem aquele lado de que eu estou fazendo para mim. A gente, que é mãe e que é avó, faz muito para o outro. Eu passei a minha vida inteira servindo. Agora, depois de mais velha, eu estou aqui fazendo isso aqui para mim. Esse momento é de olhar para mim e para a minha história”, diz. Quem também participa e garante gostar do projeto é Floripes Maria, de 83 anos, que está há três edições. Segundo ela, os encontros são aguardados ansiosamente. “Eu fui fazendo e acabei gostando demais daqui. Eu gosto demais e conto os dias para chegar. Para mim é uma alegria, me sinto bem demais, faço muita amizade e sou bem recebida aqui”.
O Mesa Brasil é um projeto do Sesc, que tem por presidente Marcelo Baiocchi Carneiro e diretor regional Leopoldo Veiga Jardim. O Sistema integra a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
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